terça-feira, 6 de março de 2012

Botos, Índios e novos planos.

Eu tinha programado ir durante a manhã em um passeio  de 4 horas para ver o famoso Encontro das Águas do Rio Negro com o Solimões. Depois desse passeio, por volta de 3 horas da tarde, eu pegaria um carro alugado para ir a Presidente Figueiredo. Porém, chegando no local combinado com o guia, ele acabou me convencendo de fazer um outro passeio primeiro e mais tarde o Encontro das Águas.
Nesse novo passeio, a primeira atividade que fizemos foi uma visita a uma tribo indígena no meio da selva. Fomos em uma pequena lancha de passeio e dessa vez só haviam brasileiros, eu, dois casais e mais uma senhora. Chegando na tribo já fomos muito bem recebidos pela índia que perguntou se queríamos ser pintados que nem eles. Todos aceitaram e ela então pegou uma planta que possui uma tinta dentro do fruto e que de acordo com o que me explicaram, é dessa planta que são feitos os bronzeadores solar. Depois de nos pintar, os índios fizeram uma apresentação para nós de como são os rituais deles. Eles tocavam vários instrumentos sonoros e dançavam e inclusive, na última dança, as índias foram nos pegar pela mão para irmos dançar também.

Saíndo da tribo indígena, fomos para uma praia para mais uma vez mergulhar com os botos. Dessa vez o mergulho estava incluso no meu pacote e chegando na praia ja me atirei na água esperando eles aparecerem.
Em menos de um minuto, os botos já estavam nos meus pés esperando qualquer comida que fosse. A única moradora dessa praia e responsável pelos botos chegou então com um balde cheio de peixes e eles ficaram loucos. Começaram a pular e a arrastar tudo o que viam pela frente, quase derrubando a senhora que estava conosco. Consegui tirar várias fotos com os botos e depois que acabaram os peixes a dona do local ainda pegou uma bola de plástico para nós brincarmos com os bichos. Quando tocávamos a bola para cima, o boto pulava e batia nela com o bico e logo já nadava para pegar a bola de novo. MUITO DIVERTIDO!

Depois dos botos, fomos a uma comunidade ribeirinha para almoçarmos e em seguida, iniciamos o percurso de volta onde iríamos passar de lancha no meio do famoso Hotel de Selva chamado Ariaú. Dizem que nesse hotel, há diárias de até R$4.000,00. Chegando no hotel, fiquei pensando porque alguém paga tanto para ficar em um local tão sem graça e feio. Parece uma favela com os apartamentos um do lado do outro. A única coisa que dizem que é muito legal são os passeios que o hotel oferece pela selva.

Voltando a Manaus, pegamos uma tempestade em "alto-rio" onde a lancha pulava demais e molhava todo mundo. As senhoras que estavam junto eram muito engraçadas. Elas riam de tudo mas ao mesmo tempo começaram a colocar os coletes salva-vidas com medo que elas fossem cair na água.
Por causa dessa tempestade, acabamos chegando de volta no porto bem mais tarde do que o planejado e eu tive que transferir o passeio do Encontro das Águas para outro dia.

Saíndo do porto, fui direto para a locadora de veículos para pegar o carro que eu tinha alugado. Fui a pé até lá passando por umas bibocas que eu jamais pensei que iria conhecer.
Já motorizado, peguei minhas coisas no hotel e parti direto para Presidente Figueiredo, que fica a uns 120km de Manaus. Saí em plena Hora do Rush e demorei horas só para sair do centro da cidade. Várias pessoas já tinham me alertado que os Manauaras dirigiam muito mal, mas eu não pensei que fosse tanto! Eles dirigem igual os chineses, um se atravessando na frente do outro sem respeitar nada, uma loucura!
Lá pelas 20:00 consegui sair da tranqueira para então entrar em uma estrada deserta totalmente reta e no meio do nada. Era só mato para os dois lados e longos 100km até Presidente Figueiredo numa pista bem sinalizada mas sem nenhum poste de luz. Acho que passei por no máximo 5 carros durante todo o percurso.

Cheguei em Presidente Figueiredo pelas 22:00 e fui direto para uma pousada que eu tinha lido recomendações muito boas. R$40,00 para um quarto privado com banheiro, ar condicionado, tv e ainda com café da manhã inlcuso.
Amanhã, inicío o tour pelas famosas cachoeiras daqui!

Fui...!





























segunda-feira, 5 de março de 2012

Na Floresta Selvagem!

Depois de uma bela noite de sono iluminada apenas pela luz da lua, tomamos café logo cedo na pousada e em seguida o grupo que já estava lá antes de mim estava saindo para um passeio que  pagaram separado para ver e nadar com os botos cor de rosa e botos cinza.
Era R$150,00 só para fazer isso e eu desde o início tinha optado por não fazer. O meu grupo, eu o alemão e os italianos, deveria iniciar um passeio pela selva, dessa vez caminhando por trilhas. Porém para a minha felicidade, os italianos também tinham pago o passeio dos botos e como eu e a Maria, os únicos brasileiros e pé-rapados éramos os únicos que não tinham pago os R$150,00 a mais, os guias nos falaram que a gente podia ir junto mas sem entrar na água.
Pff né... Quando eu ouvi que eu ia poder ir junto já corri e separei o meu calção de banho para ficar preparado para um eventual "acidente" acontecer e eu acabar caindo na água...

Chegando na plataforma de alimentar os botos, os guias foram pegar os peixes numa casinha onde vendiam comida mas para a minha tristeza, os peixes estavam em falta e eles resolveram passar o passeio dos botos para o dia seguinte, o qual eu já não estaria mais lá.
Nós podiamos ver os botos da plataforma mas estavam um pouco longe e como estava bem quente e nós tinhamos um tempo livre, eu pedi se podiamos, ou no caso só eu de novo poderia, entrar na água o que eu fiz e dessa vez consegui arrastar todo o pessoal. O rio é muito fundo, impossível de dar pé então além de uns não saberem nadar, uns ficaram com medo e entraram com coletes.
Nesse meio tempo, os botos provavelmente pensaram que tinha gente com comida entrando na água e vieram direto ao nosso encontro. Passavam dando rasantes pelas pernas de todo mundo gerando uma enorme gritaria.
Eu primeiro senti um encostando o bico na minha barriga e então mergulhei com os olhos abertos para ver ele mas ele era muito rápido e eu só o vi de relance. Depois vi que a Maria tinha entrado na água com óculos de mergulho mas tinha ficado sentada na plataforma pois não sabia nadar. Pedi os óculos emprestados para tentar ver melhor em baixo da água só que na primeira mergulhada entrou um monte de água. Tirei os óculos para regular eles e enquanto eu fazia isso, as alças de silicone ficavam encostando na água e então do nada surgiram uns três botos do meu lado que colocavam o bico para fora da água tentando pegar as alças achando que eram comida. Fiquei mega empolgado essa hora pois eu passei a mão e até abracei um dos botos e eles nem se importavam. Só queriam saber do óculos que uma hora quase foi pra baixo da água de tanto que um puxou.

Depois desse inesperado e gratuito mergulho com os botos fomos fazer o tal passeio pelas trilhas na selva. Ficamos mais de 2 horas andando no meio do mato e conhecendo várias plantas e árvores medicinais além de inúmeras frutas comestíves que eu nunca tinha ouvido falar. Além disso o Zé me desafiou a tentar subir um Açaizeiro de uns 10 metros com uma espécie de corda feita de cipó presa nos pés que facilita bastante a subida. Consegui subir uns 4 metros, o que para um iniciante não foi tão ruim.
Mais adiante, havia um cipó gigante onde a gente podia brincar de Tarzan a vontade e ficar se atirando morro abaixo. Para terminar, consegui ver muito rápido um macaco em uma árvore que assim que nos viu saiu pulando de galho em galho e sumiu.
No meio da mata, praticamente de meia em meia hora, chovia fraco por cerca de 3 minutos o que é muito comum de acontecer nas grandes florestas. Porém quando saímos da mata e embarcamos de volta para nossa vila, pegamos no meio do rio uma mega chuvarada que nos deixou echarcados.

Seco e bem alimentado, fui a tarde fazer meu último passeio antes de ir embora, a pesca de piranhas. Como ainda estava chovendo um pouco e eu já estava atrasado para voltar para Manaus, fui bem rápido com o Max para o rio até que ele conseguiu pescar uma piranha para eu ver. Feito isso, arrumei minhas coisas e junto da Maria que também estava no seu último dia, voltei para Manaus.

Fiz uma grande amizade com a Maria e inclusive acho que amanhã ela vai acabar indo junto comigo para Presidente Figueiredo, uma cidade localizada a cerca de 100km de Manaus onde há inúmeras cachoeiras para se visitar.





























"Há um prazer nas florestas desconhecidas;
Um entusiasmo na costa solitária;
Uma sociedade onde ninguém penetra;
Pelo mar profundo e música em seu rugir;
Amo não menos o homem, mas mais a Natureza..."
                                         
                                                                         
                                                                              Lord Byron.