quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Hobbiton!


Não sei nem por onde começar para falar sobre o dia de hoje.

De baixo de chuva, cheguei na cidade chamada “Matamata” onde talvez o único ponto turístico famoso é uma fazenda escolhida por Peter Jackson como cenário das externas da vila dos Hobbits em todos os filmes da trilogia “O Senhor dos Aneís” e também do novo filme “O Hobbit” que vai estrear ainda esse ano.
A vila inteira foi construída na fazenda e após as gravações tudo ia ser demolido mas os proprietários pediram para a produtora deixar as casas dos Hobbits como estavam e então, anos mais tarde, o local acabou virando atração turística e nomeado “Hobbiton”.
Por ser uma fazenda privada, só é possível visitá-la pelo tour oficial feito pelo centro turístico da cidade. Então lá fui eu gastar mais dinheiro. Agendei o passeio para o meio dia e peguei o ônibus do tour na loja do centro até Hobbiton.
O local é sensacional! Tudo foi produzido e pensado nos mínimos detalhes. Pra quem já viu o filme, não tem como estar lá e não lembrar de várias cenas e saber exatamente em que canto foram gravadas. São mais de 45 casinhas de tamanhos diferentes espalhadas pelas colinas na beira de um lago. Tudo muito bonito e bem feito! Ficamos mais de 1 hora andando pela vila com a guia explicando várias coisas interessantes sobre o filme, como foram gravadas as cenas, etc.

No final do passeio, iniciou o drama do dia. A história é longa por isso tentarei resumir.

Eu ja estava de volta ao meu carro indo para a próxima cidade quando me dei conta que minha máquina fotográfica tinha sumido. Me desesperei e voltei direto para o local onde peguei o ônibus para procurar. Eu tinha certeza que o único lugar possível que a máquina podia estar era dentro do ônibus no banco que eu sentei, mas não estava. Me desesperei mais ainda pois depois do meu tour ja tinham havido outros então era provável que alguém tivesse achado e já estivesse bem longe.
Voltei em todos os lugares que eu fui, falei com todas as pessoas possíveis e nada. Fiquei muito deprimido, mas eu botei na cabeça que eu ia achar essa máquina, custe o que custar. Depois de procurar por tudo, voltei mais uma vez ao ponto inicial, a lojinha do centro turístico, e continuava tudo igual, ninguém tinha visto a bendita camera.
Agora a parte mais sinistra, que me fez acreditar ainda mais em destino e que pensamentos positivos atraem coisas positivas. Quando eu estava saindo da loja, com metade do corpo pra fora da porta, indo embora da cidade sem esperanças, o telefone do lugar tocou. Na hora veio o pensamento na minha cabeça e eu ja sabia, a ligação era para mim, acharam minha máquina. Dito e feito.
Quando eu falo em destino é porque se eu tivesse dois segundos adiantado no tempo, eu não teria ouvido telefone nenhum tocar e teria ido embora perdendo a camera para sempre.
Agora a outra parte curiosa (eu disse que a história era longa), é que o cara que achou minha camera estava no mesmo horário do tour que eu. Me disse pelo telefone que achou no chão do estacionamento, atrás do carro dele.
O estranho foi que depois de mais de 2 horas, o cara já estava em outra cidade e só então resolveu ligar para o centro turístico para dizer que havia encontrado uma máquina, sendo que ele encontrou ela na frente do local, que é onde os carros ficam estacionados.
Fui até a cidade onde ele estava para pegar a camera de volta e na hora saquei tudo. Eu não deixei a máquina cair na rua, foi mesmo no banco do ônibus como eu imaginava. O cara estava sentado no banco do lado e achou e se fez de salame. Foi embora com a camera sem avisar ninguém e depois sabe-se lá porque, se arrependeu e resolveu devolver. Sei disso pois pegando a máquina de volta, percebi que ela estava sem os adesivos das especificações do produto e com algumas fotos minhas apagadas. 
Está cada vez mais difícil encontrar pessoas honestas no mundo.

O importante é que eu recuperei minha câmera, ainda com algumas fotos do lugar e agora posso continuar aproveitando os últimos dias de viagem tranquilamente.







































quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Rotorua!


Rotorua é sem dúvida a cidade mais peculiar da Nova Zelândia.

Por ser localizada em uma região de muita atividade geo-termal a cidade inteira cheira a enxofre. Não é um odor insuportável, mas é forte e está presente em qualquer canto.
Conheci no albergue que eu estava um francês chamado Stan e acabamos combinando de ir juntos visitar um dos parques da cidade chamado “Wai-o-Tapu”. O parque contém várias fontes de água quente de diversas cores além de um gêiser ainda ativo (Isso é o que dizem para vender o ingresso para os turístas).
Chegamos no parque pelas 9:30 pois o gêiser teoricamente entra em atividade apenas uma vez por dia e no horário das 10:15 da manhã. Eu ja estava achando estranho essa história de ter horário marcado mas fiquei quieto. No local do gêiser, havia um cercado em volta e pequenas arquibancadas para se sentar e assistir o grande acontecimento. Quando eu e o Stan vimos essas arquibancadas começamos a desconfiar de tudo aquilo e fazer piadas do tipo “Certo que alguém vai apertar um botão no horário marcado pra essa coisa funcionar e enganar todo mundo.”
Foi pior que isso! Lá pelas 10:00 apareceu um funcionário do parque com microfone e tudo e começou a contar a história do gêiser, que ele foi descoberto antigamente por Maoris que usavam a água quente para lavar roupas e sem querer deixaram uma barra de sabão cair no buraco provocando a erupção. Uma história um tanto quanto interessante até o momento que o pangaré com o microfone diz: “Esse gêiser ainda é ativo mas vamos dar uma ajudinha para ele subir.” E então o cara simplesmente joga dentro do buraco um saquinho com barras de sabão dentro e depois de uns 5 minutos o troço explode com a água subindo a uns 10 metros de altura. Me senti na Feira de Ciências da escola onde eu fazia vulcões de argila e colocava umas misturas caseiras para representar uma erupção vulcânica.
DECEPCIONANTE! Antes o cara tivesse enganado melhor e apertado um botão sem ninguém ver.
Tirando o falso gêiser, o restante do parque era bem interessante. As fontes de água fervente a mais de 100°C  e de diversas cores espalhavam fumaça e o odor de enxofre por tudo. Tinha também uma piscina natural de lodo fervente que borbulhava fazendo um barulho tipo de um sopão sendo cozido só que bem mais alto.

No final da tarde, segui rumo a cidade de “Tauranga” onde estou agora em outro albergue.
Por hoje é isso...